Transtornos de apego – Tudo que você precisa saber

Transtornos de apego – Tudo que você precisa saber


Entenda os principais tipos, causas, sintomas e tratamentos contra os transtornos do apego

A maioria das crianças desenvolve apego emocional com seus responsáveis ainda no início da infância. Elas mostram uma ansiedade normal quando o responsável está ausente e ficam aliviadas quando se reúnem novamente.

Algumas crianças, entretanto, desenvolvem transtornos de apego porque seus responsáveis não atendem suas necessidades. Essas crianças são incapazes de se conectarem aos seus responsáveis e têm dificuldade em desenvolver qualquer tipo de apego emocional.

Transtorno de apego são tratáveis, mas a intervenção deve acontecer o mais cedo possível. Sem tratamento, crianças com um transtorno de apego correm o risco de lidar com certas dificuldades pelo resto de suas vidas.

 

A importância do apego

Experiências positivas recorrentes com um cuidador ajuda a criança a desenvolver um apego seguro. Quando os adultos respondem aos choros do bebê com alimentação, troca de fraldas ou conforto, o bebê entende que pode confiar no adulto para mantê-lo seguro e atender suas necessidades.

Crianças que são apegadas tendem a formar relacionamentos melhores com os outros além de resolver problemas mais prontamente. Elas estão dispostas a tentar coisas novas e explorar de maneira independente. Também tender a apresentar uma resposta menos extrema ao estresse.

Apegos inseguros

Crianças que vivenciam respostas negativas ou imprevisíveis de seus responsáveis podem desenvolver um estilo de apego inseguro. Elas podem ver os adultos como indignos de confiança, tendo dificuldade em formar laços.

Crianças com apego inseguro podem evitar pessoas e mostrar raiva, medo e ansiedade com mais facilidade. Também pode haver uma recusa completa em interagir com outras pessoas.

 

Tipos de transtornos de apego

O manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5), reconhece dois transtornos de apego distintos: o transtorno de interação social desinibida e o transtorno do apego reativo.

Essas condições costumam ser reconhecidas por volta do primeiro aniversário da criança. Os sinais mais comuns incluem falha em se desenvolver psicologicamente ou desinteresse em interagir com pessoas.

Transtorno de interação social desinibida

Um sinal clássico do transtorno de interação social desinibida é o excesso de confiança em estranhos. A criança pode buscar conforto em uma pessoa desconhecida, sentar no seu colo ou não mostrar qualquer desconforto quando os responsáveis estiverem ausentes.

Crianças com o transtorno de interação social desinibida também mostram pouco interesse ou desejo em falar com um adulto de confiança antes de deixar um ambiente seguro e entrar em uma situação desconhecida. Além disso, crianças com essa condição mostram pouca preferência pelos adultos de confiança em relação a estranhos, buscando o afeto de pessoas que elas não conhecem.

Transtorno de apego reativo

O transtorno de apego reativo é uma condição da infância que envolve não buscar o conforto de um responsável. Uma criança com transtorno de apego reativo pode resistir ao conforto físico de um responsável, evitar contato visual e ficar hipervigilante.

A maioria das crianças com transtorno do apego reativo apresenta uma variedade de comportamentos. Alguns exemplos incluem irritabilidade, isolamento, não buscar conforto, não interagir com outras crianças e evitar contato físico.

 

Sintomas de transtornos de apego

Os sinais de que uma criança pode ter um transtorno de apego incluem:

  • Praticar bullying ou machucar outras crianças;
  • Carência extrema;
  • Ausência de sorrisos;
  • Surtos intensos de raiva;
  • Falta de contato visual;
  • Falta de medo de estranhos;
  • Comportamentos de oposição, como desobediência;
  • Controle de impulsos ruim;
  • Comportamentos autodestrutivos;
  • Assistir outras crianças brincarem, mas se recusar a participar;
  • Isolamento ou desinteresse geral.

 

Transtornos relacionados

Crianças com transtornos de apego têm boa chance de passarem por dificuldades acadêmicas, sociais, emocionais e comportamentais. Elas também têm um risco maior de terem problemas com a lei da adolescência em diante. Crianças com transtornos de apego tendem a ter um QI menor e um risco maior de apresentarem dificuldades linguísticas.

Elas também são mais propensas a terem transtornos psiquiátrico. Um estudo de 2013[1] que examinou crianças com transtornos de apego descobriu que:

  • 52% tinham transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH);
  • 29% tinham transtorno desafiador de oposição;
  • 29% tinham desvio de conduta;
  • 19% tinham transtorno de estresse pós-traumático (TEPT);
  • 14% tinham transtorno do espectro autista;
  • 14% tinham alguma fobia;
  • 1% tinha algum tique.

Em geral, 85% das crianças estudadas tinham outra condição psiquiátrica além do transtorno de apego.

Relação com transtornos de personalidade na vida adulta

Os transtornos de apego não vão embora sozinhos conforme a criança cresce. Seus sintomas podem mudar com o tempo, mas se não forem tratados, a criança terá problemas recorrentes na vida adulta      , incluindo dificuldade em regular as emoções.

Transtornos de apego também podem estar ligados a traços de psicopatia. Um estudo de 2018 concluiu que crianças com transtornos de apego eram mais propensas a exibirem traços insensíveis. Apesar de existir evidência de conexão entre eles, não há prova de que transtornos de apego causem o desenvolvimento do transtorno de personalidade antissocial.

 

Causas

Ninguém sabe exatamente porquê algumas crianças desenvolvem transtornos de apego enquanto outras, que vivem no mesmo ambiente, não. Mas, os pesquisadores concordam que há uma ligação entre transtornos de apego e privação ou negligência significativas, mudanças constantes de responsáveis primários ou ser criado(a) dentro de instituições.

Alguns possíveis fatores de risco incluem:

  • Abuso (físico, mental ou sexual);
  • Responsáveis com pouca habilidade de cuidado parental;
  • Problemas de raiva dos responsáveis;
  • Negligência dos responsáveis;
  • Condições psiquiátricas dos responsáveis;
  • Exposição pré-natal a álcool ou drogas.

A maioria das crianças com transtorno do apego sofreram sérias negligências e passaram por traumas ou mudanças frequentes de responsáveis.

Transtornos de apego são relativamente raros na população geral. Crianças em instituições de adoção estão sob um risco maior. Outros grupos com mais risco incluem:

  • Crianças que estiveram em muitas instituições de adoção;
  • Crianças que passaram tempo em um orfanato;
  • Crianças que passaram por muitos eventos traumáticos;
  • Crianças que foram afastadas do responsável primário após a criação de um laço saudável.

 

Tratamento

O aspecto mais importante de ajudar uma criança a desenvolver um laço seguro envolve um ambiente estável e saudável. Uma criança que mora em um orfanato ou é constantemente transferida de uma instituição de adoção para outra provavelmente não formará um laço saudável com um responsável.

Mesmo quando a criança com um transtorno de apego é colocada em um ambiente saudável com um responsável consistente, os sintomas não desaparecerão de imediato. Elas tendem a afastar o responsável e seus problemas de comportamento geralmente repelem as pessoas ao redor. Tratamento intensivo constante geralmente é necessário.

O tratamento geralmente envolve:

  • Psicoterapia. A psicoterapia para transtornos de apego se concentra em identificar áreas problemáticas e reduzir comportamentos problemáticos. Isso pode ser feito na terapia individual ou envolvendo os responsáveis também;
  • Treinamento de habilidades sociais. Desenvolver habilidades sociais pode ajudar a criança a aprender como interagir melhor na escola e em outros ambientes sociais. Acriança pode praticar essas habilidades com o terapeuta ou com os responsáveis para ganharem confiança;
  • Terapia em família. A terapia familiar pode ajudar a criança, os cuidadores e outros membros da família a aprenderem novas maneiras de interagir.

Tratamentos de saúde mental que envolvem os responsáveis podem ajudar a criança a desenvolver laços mais seguros. Se deseja falar com um psicólogo agora, clique aqui.

 

Fonte: Attachment Disorder Overview

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