A relação entre depressão e transtorno de estresse pós-traumático

A relação entre depressão e transtorno de estresse pós-traumático


Depressão e TEPT podem ocorrer juntos algumas vezes, entenda porque isso acontece e o que fazer a respeito

Não é incomum que diagnósticos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e de depressão aconteçam juntos. O TEPT é caracterizado por sintomas de ansiedade, flashbacks e revivência da(s) experiência(s) traumática(s).  Essa condição se desenvolve depois de a pessoa vivenciar algum tipo de evento traumático, como desastre natural, acidente de carro, ataque, abuso ou outros tipos de violência.

A depressão, por outro lado, é caracterizada por um humor desanimado, perda de interesse e prazer além de mudança nos níveis de energia.

A depressão também pode ser a resposta a algum evento traumático ou estressante, de forma que não é completamente que as duas condições aconteçam juntas.

Uma pesquisa sugere que aproximadamente 6,8% de todas as pessoas desenvolverão transtorno de estresse pós-traumático em algum momento de suas vidas[1]. Outro estudo aponta que metade de todas as pessoas com TEPT também têm um transtorno depressivo maior[2].

Se você recebeu um diagnóstico duplo, explicaremos a seguir porque essas condições podem estar relacionadas.

 

Sintomas

Todo mundo se sente triste de tempos em tempos, mas a depressão é diferente de simplesmente se sentir infeliz. A depressão é mais intensa, dura mais e tem um grande impacto negativo na sua vida.

Os sintomas da depressão e do transtorno de estresse pós-traumático estão descritos no manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5).

Sintomas de depressão

  • Humor deprimido;
  • Perda de interesse e prazer;
  • Ganho ou perda de peso;
  • Dificuldades relacionadas ao sono;
  • Fadiga ou inquietação;
  • Sentir-se inútil e/ou culpado(a);
  • Dificuldades de concentração;
  • Pensamentos de morte ou suicídio.

Sintomas do transtorno de estresse pós-traumático

  • Memórias indesejadas;
  • Flashbacks;
  • Evasão dos lembretes do trauma;
  • Sentimento de isolamento;
  • Pensamentos e emoções negativos;
  • Irritabilidade;
  • Hipervigilância;
  • Excesso de respostas de sobressalto (no susto).

 

Diagnóstico

De acordo como DSM-5, para receber o diagnóstico de um episódio depressivo maior, você deve apresentar cinco dos sintomas acima em um período de pelo menos duas semanas; eles também devem ser diferentes do seu comportamento usual.

Para receber o diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático, o DSM-5 especifica que a pessoa deve ter vivenciado um evento traumático e deve apresentar sintomas que incluem pensamentos intrusivos, evasão, mudanças negativas na cognição e humor além de mudanças na reatividade e animação.

Esses sintomas devem estar presentes por pelo menos um mês e causar aflição ou desconforto no dia a dia.

 

Como depressão e TEPT coincidem

A depressão é um dos diagnósticos coexistentes mais comuns para pessoas com transtorno de estresse pós-traumático. Pesquisadores descobriram que, entre as pessoas que têm ou tiveram um diagnóstico de TEPT, entre 48% e 55% também apresentaram depressão em algum ponto de suas vidas[1].

Pessoas que tiveram transtorno de estresse pós-traumático têm uma chance de 3 a 5 vezes maior de apresentar depressão em relação às pessoas sem TEPT.

 

Como eles estão conectados

O transtorno de estresse pós-traumático e a depressão podem estar conectados de diferentes maneiras.

Traumas aumentados

Primeiro, pessoas com depressão têm uma chance maior de vivenciarem experiências traumáticas do que pessoas sem depressão; isso por si só aumenta a probabilidade de o transtorno de estresse pós-traumático surgir.

Um histórico de trauma e abuso também é um fator de risco para a depressão. E esses mesmos eventos traumáticos também podem provocar o transtorno de estresse pós-traumático.

O transtorno de estresse pós-traumático pode contribuir para a depressão

Uma segunda possibilidade é de que os sintomas do transtorno de estresse pós-traumático sejam tão destrutivos e debilitantes que eles causam o desenvolvimento da depressão.

Algumas pessoas com TEPT podem se sentir desconectadas dos amigos e familiares. Elas também podem não encontrar prazer nas atividades que costumavam gostar.

Finalmente, elas podem ter dificuldade em sentir emoções positivas como alegria e felicidade. É fácil perceber como experimentar esses sintomas do TEPT pode deixar a pessoa muito triste, solitária e deprimida.

A genética pode desempenhar um papel

Outra possibilidade é de que exista algum tipo de fator genético envolvido no desenvolvimento tanto do TEPT quanto da depressão.

Sabe-se que o histórico familiar é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento da depressão. Estudos também sugerem que também pode haver uma predisposição genética ao transtorno de estresse pós-traumático[3].

Dessa forma, faz sentido supor que a genética também desempenhe um papel na coexistência dessas duas condições.

 

Recebendo tratamento

Se você tem TEPT, é importante buscar tratamento o quanto antes. Quanto mais cedo você abordar os sintomas do TEPT, menores as chances de que eles piorem e aumentem a chance de você desenvolver depressão.

Se no momento você tem TEPT e depressão, também é importante receber tratamento o quanto antes. Cada transtorno pode deixar o outro pior.

Como TEPT e depressão são condições que coexistem com frequência, profissionais de saúde mental treinados no tratamento do TEPT costumam ser bem treinados no treinamento contra depressão também. Além disso, alguns tratamentos podem ser úteis no tratamento tanto da depressão quanto do transtorno de estresse pós-traumático.

A presença de ambas as condições pode complicar o processo de tratamento. Entretanto, existem opções de tratamento que são boas opções para abordar as duas condições ao mesmo tempo.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC), em particular, é um tratamento de bons resultados tanto contra a depressão quanto contra o TEPT. Essa abordagem envolve identificar as cognições negativas que contribuem para os sintomas e então ensinar como substituir esses pensamentos por respostas mais positivas.

Seu psicólogo ou psiquiatra recomendará as opções de tratamento que melhor se encaixam na sua situação específica. Isso pode envolver o uso de psicoterapia, como a TCC, assim como medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos.

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Fonte: The Relationship Between PTSD and Depression

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